domingo, 15 de julho de 2018

Além do (a) mar


Como em um beijo
demorado,
aonde está 
a sua língua,
e a minha língua,
salgadas de maresia,
sedentas de poesia?
Que só o nosso idioma
sabe o que é saudade...
Nos falávamos hoje,
há pouco,ao fim do dia...
e lá já era amanhã.
O tempo é um fio
comprido como uma frase
de Saramago
e repleto da metafísica
de Pessoa,
se toda a poesia
que eu quero agora
está naquela terra,
feita areia...
O dia foi azul
aqui e longe,
sob o mesmo céu
e além do (a) mar...
Enquanto estava na praia,
imaginava aquele navio
que via
atravessando o oceano...
Pois se o lápis é voador,
o pensamento navega
antes do primeiro traço...
O voo rasga a distância
mas navegar
recorta o caminho,
requer paciência.
Ah!Chegar à outra praia,
aquela das cabanas(!),
sob o mesmo céu
e além do (a)mar...



segunda-feira, 18 de junho de 2018

Manhã fria

Lembrar
daquela manhã
fria
é como sentir
de novo
o gosto
do café
da padaria,
do beijo
no caminho
à procura urgente
de um destino...
Lembrar
daquela manhã 
fria
é,de repente,
não querer
lhe deixar sozinho,
menino,
lhe colocar no centro
das atenções...
Lembrar
daquela manhã
fria
é aquecer-se da lembrança
de se perder o jogo
e ganhar o dia...
Lembrar 
daquela manhã
fria
é,sem querer,
fazer uma prece,
pedir para que seja
amor...



Pois só o amor
merece
uma prece
olhando a lua
e ganha a rua
e pega a estrada,
esquenta,
aquece,
por muitas estações...
Permanece
e mais nada.

domingo, 15 de abril de 2018

Então,ficaram assim conversados
 como em um pacto velado.
De uma parte 
e do outro lado,
a pequenez de se saberem aquém,
loucuras,cicatrizes...
A grandeza de se quererem,afinal,
palavras tão urgentes quanto afins...
E se deram as mãos
para se deixarem conduzir,enfim,
como apoio mútuo
em passos trôpegos
no caminho do desejo e beleza
então postos à mesa,com falas,
vinho,toque,olhos que,portanto,
se reconheciam...
A estranheza recuando noite adentro,
atados,já cúmplices,
necessários que se faziam
na companhia...
Chovia...

sábado, 7 de abril de 2018

Lula

Descansa,querido...
Nós sabemos quem você é...
Imperfeito,como nós.
Perfeito,no essencial:
fome zero,
educação para todos,
Saúde Pública,
com letras maiúsculas!
Descansa...
Nada será esquecido.
História!
Viaja logo,assim que puder.
Em seu exílio,
seja acolhido,como em nosso abraço,
por quem também lhe queira bem.
Afinal,nunca será estrangeiro,
se você é do mundo...!
Pois onde houver
um excluído,
lá estará seu parente,filho,irmão..
Lula,guerreiro!
Em quem mandar,
nosso voto!



















domingo, 18 de março de 2018

letras minúsculas

as letras minúsculas aprendi com o português que estou lendo.desordem e irreverência.só pontos.sem mais pontuações.não exclamo interrogo ou pauso.determino que no caos fiquem para trás os que afinal tem motivos para estarem aonde estão. seja a direita que não lê e só vê TV ou o cara que sem grana não tem falo.te falo.atesta nulidade de si.atribui valor algum à atenção que não foi comprada.é o capitalismo afetando o sexo não profissional que dirá a amizade.já não há.virtual.então também apagados os contatos que comemoram o que chamam de uma morte qualquer e a de si mesmos sem o saberem.conhecidos que quero mesmo é desconhecer.amigos que foram ficam porém.ainda que para trás mas inapagáveis.lá só para me lembrarem da minha evolução.evolução é solidão.que seja.encaro. mas basta.me basta.sem precisar nem saio.só pra o trabalho do soldo.dos músculos.do espírito.para a praia-quintal.mar e sol.alimentos.preciso sair para o quintal para onde levo meu livro-companhia.abro-o para tirar o mofo de cada página uma a uma.que lugares fechados são assim.precisam de luz.mentes fechadas são assim.sem luz emboloram desde lá do passado.definham minúsculas.ficam para trás.


terça-feira, 6 de março de 2018

Alma Antiga


Na poltrona dezoito reconheci,naquele que em nada me atrairia (?),menino,uma alma antiga.
Há pouco o tinha notado,na estação,com que paciência respondeu a um pobre diabo que o vinha importunar...
Antes,percebido,com que delicadeza havia dado algumas moedas ao mendigo.
Acho que cheguei a sorrir...
Sorri,também,quando ganhei a bala,doce conversa de sorrisos a risos - mesmo! - quando coincidimos em coisas importantes e ousamos,na viagem demorada,íntimos e desconhecidos...

02 de março de 2018



terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Carnaval

Para a festa,
cheguei sem máscara.
Meu próprio corpo
a fantasia,
com seu brilho leve
mas insistente.
Servi-me 
da alegria líquida
com cevada
ou com frutas doces,
como não era de hábito,
para a música ficar
mais alta
na dança,
mais nítida a lembrança
dos encontros no salão
de tantos carnavais...!
Mas,louco,mesmo,
foi retribuir o olhar
nesta noite
em que prevaleceu
o imponderável,
pois era apenas um menino!
Em pouco,oh desatino,
já estava em seus braços,
sem condução
entre os passos incertos
e adoráveis
da inexperiência...
E já nem pensava
no que pensariam
daquele beijo demorado,
quando o baile acabou...