terça-feira, 21 de novembro de 2017

Crônicas para Desopilar - I

No mito grego,o fogo era dos deuses e Prometeu,um titã defensor da humanidade,quis roubá-lo para aquecer os corpos das pequenas criaturas,homens e mulheres,que moldara com a argila que lhe fora dada por Zeus.A ele pediu um pouco e,diante a negativa - "...o fogo é somente para os deuses!" - decidiu pegá-lo.

Zeus temia que os mortais ficassem tão poderosos quanto os deuses e ficou furioso com Prometeu,punindo-o com um terrível castigo:acorrentou-o ao pico mais elevado do Monte Cáucaso enquanto uma grande águia comia,todo dia,o seu fígado,que se regenerava no dia seguinte,tornando o tal castigo perpétuo,infindável.

O mito de Prometeu (do grego, Promethéus,que significa antevisão)foi contado e recontado por diversas fontes antigas e a ele atribuído - devido ao fogo - um papel primordial na história da humanidade.

Provavelmente por causa desse mito,a antiga medicina grega relaciona o fígado às emoções,às emoções iradas - ira dos deuses! - à raiva e ressentimentos dela derivados.
Para a medicina tradicional chinesa,também o fígado é o órgão regulador das emoções.
Em ambas as teorias considera-se,do ponto de vista energético do fígado,que os sentimentos negativos represados o afetariam e seriam causa de diversos sintomas e enfermidades.

AS influências culturais do mito de Prometeu,com seus componentes,tais como a raiva e o fígado,presentes desde a medicina grega à tradicional chinesa,determinaram a existência contemporânea do termo "desopilar o fígado" que,no dicionário informal,é uma expressão popular,uma gíria,que corresponde a ficar de bom humor,fazer higiene mental,espairecer,rir muito,esquecer tristezas,aliviar.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Três Poemas para a Consciência

Viu-se só.
deixara de ser...
Sofria!
Nada era,
assim,
apartado dos seus...
Antes do engenho de açúcar,
amargo passado,
determinando
o que haveria de vir:
fuga frustrada,navio negreiro...
Exposto na feira;
dali,para o cativeiro...
Entre troncos
e correntes,
aprendeu:
valia
por seus alvos dentes?!


Não existe
cor,nem raça,
nem características aparentes...
Há,somente,sangue
pulsante,
artérias,veias,
ossos,músculos,
um coração ferido...
E,antes de tudo,
o espírito,
que resta intangível
e não é negro
mas claro,
como a aurora
de um novo dia...

Nervos
à flor
da (negra) pele
diante
do gesto cruel,
discriminante.
No entanto,o clamor
("sou gente"!)
é sufocado
pela brutalidade
da ação
que decepa
até mesmo a intenção
de defesa,
ignorando
a dor plangente...
#escritosNaDécadaDe80

domingo, 30 de julho de 2017

Valor

Contradição!
O humanista não aceita
a alheia e humana imperfeição.
Desta feita,
não enxerga
que também a tem,
que a sua coluna
não se verga
ao capitalismo(?)
mas,muito,pela física dor.
Que a morte
lhe entra pela boca,
doce veneno:muito pesa!
E se morre
sem saber se é amor?
Fogo ateia
e apaga a chama...
Não conseguiria?
Por que a chama?
Não,não aprendeu com a poesia,
não age como o que diz que preza.
E ela,que só queria
preencher com seu valor
essa existência vazia...

15/07/2017


quinta-feira, 29 de junho de 2017

Para saber

Em seu nome 
cabe o mar...
Mas a voz traz
é a paz
das colinas!

Ah!E se a poesia
lhe mata a fome,então,farei de tudo
para sentir de perto
a bondade que reconheci
em seus olhos...

Por ora
controlo o medo
do incerto,
de não ser para você
o que quero ser
para alguém:
a que abre a janela
para contemplar
a beleza da paisagem
de um dia comum...
A que lê alto,
canta baixinho,
abraça forte
para saber
se é amor...

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Poema sem Rima

Noite de quarta,
sala grande,estante farta.
Muita coisa boa,
livros,
um fazer amor
que não está escrito...

E,até antes do vinho,
não era só o nosso país
pegando fogo...

Olhos felinos
nos observam,
mansos e atentos
à cena que sabem cínica...

Quisera fosse única
a química!
Mas tudo é inexato
como não é um soneto.
Ato.Meto.
É poema sem rima,
menina!

terça-feira, 4 de abril de 2017

Livre

Capciosa!
Mas penso.
Logo,resisto.
Tenso.
Até
sobe o tom,
nervosa...
Não é
bom
assim
mas rogo
um tempo,insisto.
Pois se é
para a Luz
que existo,
esta a mim 
conduz
e decido:com alma
mas com calma!
Salva,enfim,
por isto.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

                             Boa Vista
Penha        Jabaquara
Pacheco        Nova Cintra
Santa Maria            Progresso
São Bento                  Caneleira
Fontana                          Marapé
Monte Serrat                      José Menino
Belmiro                                     Bufo

Entre os morros
E a Serra do Mar
persistem,preservados,
já na planície litorânea,os casarões e Igrejas
do histórico Centro Velho,
próximo ao Cais do Porto.

Preocupam-se (?)
com os cortiços
sempre habitados.

E com as favelas,
principalmente
situadas
nas regiões dos manguezais.

Especialmente a partir
da Linha da Máquina,
os edifícios
vêm responder ao apelo
da modernidade
e procuram integrar-se
à paisagem,
como que tentam
alcançar
o relevo que se ergue
circundando
a cidade!

Os canais,
com a finalidade de drenagem,
para terrenos menos úmidos,
acabam por percorrer,
compor
as avenidas mais belas
quanto arborizadas...
...que conduzem à Orla.

nascer do sol Urubuqueçaba navio Barnabé barco Bagres farol Diana por-do-sol
linha    do     horizonte
m a r
 a r e i a

As ilhas menores
desenham a vista
que se tem da praia.
A praia
de todos:
nativos e visitantes...

Depois da areia,
imensa faixa sempre repleta no verão,
os jardins
são coloridos sobretudo
pelas flores,
na primavera,
pelas crianças
com seus brinquedos
nas manhãs frias,
tão raras
em Santos...

1994