quarta-feira, 3 de junho de 2026

Tardia essa consciência de que a posse é uma quimera.

Quando sentisse que já lhe escapava, houvesse lhe franqueado a liberdade ,esta também lhe serviria.

Ao se dar conta, apenas bem adiante de a vida ter estado por um fio, colocou-se em um cenário restrito, no qual a lealdade (provavelmente elogiada) continua sendo a de um amor fraterno e só, como antes e há muito, sem a aventura do desejo renovável que, sim, é passível de acontecer para algumas poucas almas afins. Não era o caso.

Tristemente empurram-se anos, décadas, cadeiras de rodas.

Isto, agora? Trégua, se já não há guerra? Pretensa altivez, a revelar desdém? A ver. Mas fica a lição: ninguém é de ninguém!



 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Poetas,

tu e eu!

Olhares- setas


e, sem alarde,


um encontro nasceu…


Tão improvável 


quanto esta tarde,


sol que arde,


tempo instável…


Depois? Choveu.




terça-feira, 10 de março de 2026

O quanto 

uma utopia

sustenta  

um homem

para que carregue

o peso de uma realidade

tão desafiadora?

Eu digo, atenta,

que mais que sustentar

ilumina,

luz que irradia.

Feliz de quem

pôde estar perto

e apenas receber

alguns raios dessa luz!

Nem todos.

Nem todos apreenderam

o homem

por detrás

da utopia

que, então, encantado,

enraizou-se

tal qual árvore frondosa

que simplesmente permanece,

viva.