Poetas,
tu e eu!
Olhares-setas
e, sem alarde,
um encontro nasceu…
Tão improvável
quanto esta tarde,
sol que arde,
tempo instável…
Depois? Choveu.
Em uma de minhas muitas leituras me"disseram"mais ou menos assim:"se você gosta,escreva,conte sua história,nem que seja somente para os de sua família".Ouso na Prosa Poética e,então,esta não será uma história linear.Deve se parecer com uma colcha de retalhos que o leitor terá que,ele mesmo,ir costurando aqui e ali.Seja,então, um edredon aconchegante,recheado de metáforas...Espero que goste,que se identifique...e também se anime a ser um contador de histórias!
O quanto
uma utopia
sustenta
um homem
para que carregue
o peso de uma realidade
tão desafiadora?
Eu digo, atenta,
que mais que sustentar
ilumina,
luz que irradia.
Feliz de quem
pôde estar perto
e apenas receber
alguns raios dessa luz!
Nem todos.
Nem todos apreenderam
o homem
por detrás
da utopia
que, então, encantado,
enraizou-se
tal qual árvore frondosa
que simplesmente permanece,
viva.
Na praia, a placa
fincada na areia,
molhada:
"cuidado, perigo"!
Nela, o desenho
de uma caveira: morte!
Não desdenho,
nem nada,
que quer alertar
sobre os perigos do mar.
Mas não aplaca
o prazer de dele desfrutar
pois que, com ele, o mar,
já tenho intimidade.
Conheço os limites
que me impõe,
a localização
das correntes de retorno.
E, como não tendo a retornar,
apenas me entrego
às ondas que levam adiante.
Assim, a placa, a caveira,
só me lembram que ela existe.
Ela, a morte.
E só me faz pensar
(que sorte!)
em como é bom
estar viva!
É lindo ,sim,
de se ver
o céu todo azulzinho,
dizem, de brigadeiro.
Mas, para mim,
vou te dizer..
...eu, que prefiro
o doce à patente,
gosto mais é dele, assim,
enfeitado, faceiro,
todo de nuvens desenhado,
chupando muitas cores
misturadas do sol se pondo.
Contemplo, miro contente,
esse mundo redondo,
com meu olhar diferente.
A tragédia se abateu
sobre o meu muso insuperável.
Ainda vive, mas abatido, limitado
e, por isso, forçosamente recluso.
Para mim, é com se não vivesse.
Ainda nos veremos
nesta existência?
Com a certeza
de que seu coração
me foi entregue,
o meu pensamento
diário e insistente, tristíssimo,
é imaginar
a dor de suas perdas,
no corpo e na mente.
A tragédia se abateu
sobre o meu muso insuperável.
E, por assim ser,
fecha-se o ciclo dos poemas
de amor- Eros.
Houve outros ,
hoje sei que menores.
Pois que este fez-se ápice,
sim, insuperável, derradeiro amor..
E, como nos encantávamos juntos,
com o mar, as pedras,
as montanhas, os pássaros,
sol e lua...
...e como nos desencantávamos juntos
com as injustiças deste mundo,
todos os versos a partir de então,
amor- Ágape & amor -Phílos,
sejam cânticos
a sublimar nosso amor- Eros,
embalando nossas almas
até nosso próximo reencontro,
por aqui (?) ou na eternidade...
Mas chegará o tempo em que tudo será revelado. Ele saberá que enquanto não tinha autonomia outros decidiam por ele, achando que o conheciam e, por isso, não pôde mais vê-la, ouvi-la, receber o toque de suas mãos. Saberá que, sim, ela tentou e - aliás - o fez por duas vezes enquanto dormia profundamente e quando acordava lentamente . E foi só : ela espera que ele tenha sentido.
Mas chegará o tempo em que tudo será revelado.Como naquelas antigas histórias de amor, quando as cartas eram interceptadas por quem se achava no direito de deletar correspondências, determinar destinos. As cartas escondidas no fundo de uma gaveta - metáfora - lhe serão entregues e aquecerão seu pobre coração.
Não pensava
que seria tão grave.
Ter a morte, assim,
batendo na trave!
Não mandava à fava
e se deixava
ficar, no fim...
Já vinham de anos,
insônia e tédio.
Para a rotina,
passando panos.
Tomava remédio
mas se entregava à sina.
Disfarçava...
Ninguém notava?
Com a tal mudança,
menos sorrisos e andança.
Mais controle, menos sol.
Menos paz, mais cortisol.
É mau estar
aonde e com quem
não se quer:
um dia
cai a casa,
angústia vem,
extravasa
em um mal-estar
qualquer...