quinta-feira, 30 de abril de 2026

 Poetas,

tu e eu!

Olhares-setas


e, sem alarde,


um encontro nasceu…


Tão improvável 


quanto esta tarde,


sol que arde,


tempo instável…


Depois? Choveu.

terça-feira, 10 de março de 2026

O quanto 

uma utopia

sustenta  

um homem

para que carregue

o peso de uma realidade

tão desafiadora?

Eu digo, atenta,

que mais que sustentar

ilumina,

luz que irradia.

Feliz de quem

pôde estar perto

e apenas receber

alguns raios dessa luz!

Nem todos.

Nem todos apreenderam

o homem

por detrás

da utopia

que, então, encantado,

enraizou-se

tal qual árvore frondosa

que simplesmente permanece,

viva.





sábado, 27 de dezembro de 2025

Na praia, a placa

fincada na areia,

molhada:

"cuidado, perigo"!

Nela, o desenho

de uma caveira: morte!

Não desdenho,

nem nada,

que quer alertar

sobre os perigos do mar.

Mas não aplaca

o prazer de dele desfrutar

pois que, com ele, o mar,

já tenho intimidade.

Conheço os limites

que me impõe,

a localização

das correntes de retorno.

E, como não tendo a retornar,

apenas me entrego

às ondas que levam adiante.

Assim, a placa, a caveira,

só me lembram que ela existe.

Ela, a morte.

E só me faz pensar

(que sorte!)

em como é bom

estar viva!





 

domingo, 27 de julho de 2025

 É lindo ,sim,

de se ver

o céu todo azulzinho,

dizem, de brigadeiro.

Mas, para mim,

vou te dizer..

...eu, que prefiro 

o doce à patente,

gosto mais é dele, assim,

enfeitado, faceiro,

todo de nuvens desenhado,

chupando muitas cores

misturadas do sol se pondo.

Contemplo, miro contente,

esse mundo redondo,

com meu olhar diferente.






sábado, 19 de julho de 2025

Amores

 A tragédia se abateu

sobre o meu muso insuperável.

Ainda vive, mas abatido, limitado

e, por isso, forçosamente recluso.

Para mim, é com se não vivesse.

Ainda nos veremos

nesta existência?

Com a certeza

de que seu coração

me foi entregue,

o meu pensamento

diário e insistente, tristíssimo,

é imaginar

a dor de suas perdas,

no corpo e na mente.

A tragédia se abateu

sobre o meu muso insuperável.

E, por assim ser,

fecha-se o ciclo dos poemas

de amor- Eros.

Houve outros ,

hoje sei que menores.

Pois que este fez-se ápice,

sim, insuperável, derradeiro amor..

E, como nos encantávamos juntos,

com o mar, as pedras,

as montanhas, os pássaros,

sol e lua...

...e como nos desencantávamos juntos

com as injustiças deste mundo,

todos os versos a partir de então,

amor- Ágape & amor -Phílos,

sejam cânticos

a sublimar nosso amor- Eros,

embalando nossas almas

até nosso próximo reencontro,

por aqui (?) ou na eternidade...







domingo, 29 de junho de 2025

Cartas de Amor

Mas chegará o tempo em que tudo será revelado. Ele saberá que enquanto não tinha autonomia outros decidiam por ele, achando que o conheciam e, por isso, não pôde mais vê-la, ouvi-la, receber o toque de suas mãos. Saberá que, sim, ela tentou e - aliás - o fez por duas vezes enquanto dormia profundamente e quando acordava lentamente . E foi só : ela espera que ele tenha sentido. 

Mas chegará o tempo em que tudo será revelado.Como naquelas antigas histórias de amor, quando as cartas eram interceptadas por quem se achava no direito de deletar correspondências, determinar destinos. As cartas escondidas no fundo de uma gaveta - metáfora - lhe serão entregues e aquecerão seu pobre coração.



sexta-feira, 6 de junho de 2025

Acidente

Não pensava

que seria tão grave.

Ter a morte, assim,

batendo na trave!

Não mandava à fava

e se deixava

ficar, no fim...

Já vinham de anos, 

insônia e tédio.

Para a rotina,

passando panos.

Tomava remédio

mas se entregava à sina.

Disfarçava...

Ninguém notava?

Com a tal mudança,

menos sorrisos e andança.

Mais controle, menos sol.

Menos paz, mais cortisol.

É mau estar

aonde e com quem

não se quer:

um dia

cai a casa, 

angústia vem,

extravasa

em um mal-estar

qualquer...