Eu sei
que nós só temos
a praia
e sei
também
que é imensidão.
Mas o que há além,
lá fora,
se tudo está aqui
e agora:
paixão,
novo enredo?
Longe fomos
a remo
e temo:
o medo
não é do mar
(deixa estar?)
mas do que somos
e seremos...
25/02/2023
Em uma de minhas muitas leituras me"disseram"mais ou menos assim:"se você gosta,escreva,conte sua história,nem que seja somente para os de sua família".Ouso na Prosa Poética e,então,esta não será uma história linear.Deve se parecer com uma colcha de retalhos que o leitor terá que,ele mesmo,ir costurando aqui e ali.Seja,então, um edredon aconchegante,recheado de metáforas...Espero que goste,que se identifique...e também se anime a ser um contador de histórias!
Na tarde
morna
após a manhã
ardente
e voltou.
Molhou
meus pés.
Pés no chão!
Desmanchou
o enleio (?)
Castelo de areia
e solidão...
14/01/2023
Incrível como a praia
hoje estava em festa!
As ondas brilhavam
mais vivas
em branca espuma
arrematando, como rendas,
a água límpida
que refletia
o azul do céu
com poucas nuvens
(rendas também!)
Azul é a cor
do manto de Iemanjá
e por isso a manhã
veio vestida de festa
nesse dois de fevereiro.
Sol, ilhas, pedras, mar...
Vi aves marinhas
de quatro espécies
pelo menos:
Quero-quero, Garça,
Gaivota e Mergulhão:
os Biguás, de bando,
esvoaçavam
em brincadeira:
a festa da pescaria!
Apenas avistei algumas
rosas brancas
na areia molhada,
que minha oferenda
foi meu olhar,
todo contemplação.
rastros da juventude
pegadas apagadas da areia
quando vem as ondas
no corpo
só o gosto de amor
que permeia a existência
enfim
é salgado
o gosto do amor
sal da vida
em lágrimas e mar
tem no samba
em suor da dança
em saliva
de cantoria alta
do perene querer
Primeiro
cortei da lista
o amigo
que não era.
Comigo
só quem resista
ao pesadelo
que impera,
ao presidente
fascista.
Não minta,
não desista;
no presente,
contra a maldade,
seja inteiro.
Eu me lembro,
e tanto faz,
quatro anos atrás
em novembro...
Depois cortei
o cabelo
para tirar
a tinta.
Curto.
E deixar crescer,
aproveitar
a espera.
Vai demorar,
que eu me lembro,
foi agora,
em setembro.
Vou lhe falar:
Curto
é a liberdade
de ser natural
e ter o prazer,
afinal,
de quem não se cobra,
aflita,
em cada fio
branco
e reflita
que ao se aceitar
o desafio
de ser de verdade
e franco,
se poupa
e até sobra
para a roupa
mais bonita!
Retornar.
Voltar atrás.
Dois passos
para a frente
e um recuo
estratégico
também é
caminhar...
Intensa,
impulsividade
incontida,sim!
Mas posso
mudar o rumo,
acertar o prumo.
Pequenas manobras
sofridas.
Atalho escuro.
Um desvio
arriscado,
contornar o muro.
Vender
o que se comprou.
Trazer de volta
as plantas.
Desfazer o escambo.
Retornar
ao partido.
Que nada
é o mesmo.
Eu mesma,
outrora coração
partido,
então sou fibra,
casca grossa.
Eu,a louca,
me apresento,
para provar
que a pulsão
da vida
é,sempre,
movimento!